Aproveitando a onda de calor destes dias, visto que o inverno também se cansou de verter lagrimas, subi ao povoado e, como o faço muitas vezes, resolvi cumprir a minha “via-sacra do costume”(é ironia evidenternente..) que consiste em calcorrear os caminhos e veredas que teimam em permanecer em mim, como das melhores coisas que a minha infância teve. Desta vez, comecei pelo adro da igreja, e descendo as escadarias do “Tio Zé linhas”, enfiei pelo caneiro que conduz à fonte do sandão. Uma fiada de casas, algumas já com a trave mestra no chão, parecem acompanhar-me no meu toc-toc pela calçada, onde somente o ruído das águas do ribeiro me faz companhia. Não vejo ninguém.. .Rente ao muro de pedra, o passeio curto e empedrado conduz-me ao ruído sonoro da bica da fonte. Continua com o caudal forte e com o mesmo ar apetecível de a sorver… Sou tentado a isso, mas um não sei quê de receio??? atrasa-me o gesto e só me limito a molhar a testa,? sentindo a fresquidão da mesma.
Os mesmos cheiros de antigamente, penetram em mim e a mesma melancolia que eu não queria sentir,volta a incomodar-me.. .A fonte está bonita, com a cara lavada (parabéns à Junta),como que a querer dizer-me que só faltam cântaros e bilhas, para levar a sua água para casa (estará potável?). A velha “japoneira”da D.Olívia, teima em mostrar os gomos das flores que quase se abrem agora, ao sabor dos primeiros e quentes raios de sol. Meto pelo caneiro, subo o muro e eis-me na fonte das Almas.

Bebo um gole de água, miro o tanque que algumas vezes me serviu de piscina improvisada e sinto no ar o cochichar dos meus verdes anos de jovem adolescente, quando a fonte era um dos meus locais de primeiros namoricos e conversas de amor ainda precoce.
Chegado ao largo do cruzeíro, os sonoros gritos da criançada que jogava aos “cow-boys”nas ruas estreitas do “tio Zé Pestanado ‘Antero” ou mesmo pela rua abaixo da “D. Menelvina”(presenteava-me sempre com uma deliciosa broínha, pelas janeiras) até ao cruzamento da rua do ‘Ilídio” vêm-me à lembrança. Continue reading →