NO “FLORIR” DE UMA REVOLUÇÃO

A Revolução de Abril,apanhou-me ainda nos verdes anos da minha imberbe adolescência. Nessa manhã sebastiânica, fria e cinzenta q.b.,a notícia correu célere e espalhou-se aos bancos do liceu Brás Garcia de Mascarenhas (por onde eu andava…).Acho que uma das melhores coisas da vida,é que ela muda. E nesse dia ela mudou. Mudou a situação do quotidiano banal e trôpego dos dias de escola e mudou um País. A diligente prof.ª Lucinda (à época minha jovem profª. de Inglês) ”rejubilou” com a notícia que a TV continuava incessantemente a mostrar. Era nova e tinha estudado em Londres. Por isso…

Lisboa era o centro do Mundo e a “velha” Oliveira serena e pacata como convinha.

A manhã interrompeu-se e toda a gente abalou para casa. Ainda hoje não percebo o porquê (???).

Parece que o regime seguidor do “velho ditador” (É pá rimou…) não estava feito à medida da populaça do País. Vim a saber que não.

Lembro-me que o primeiro 1º de Maio desse ano, levou a Oliveira uma das maiores enchentes de sempre de população ávida das luzes da ribalta…

A “revolução” provocou em mim um ligeiro entusiasmo pela política, mas palavras como Comunismo, Marxismo, Leninismo, Fascismo e outras coisas acabadas em ismo, foram uma novidade.  A palavra  Democracia era demasiadamente esquisita para os meus verdes neurónios. Suspeitei sempre daquele velho general de monóculo e que lia sem pronúncia. Um ano depois,tinha razão. Parecia moda a seguir a uma Revolução,um país seguir o Comunismo. E esse Outono seguinte foi cheio de rumores e conspirações. No entanto, ainda não tinha conseguido descobrir o efeito milagroso dessa revolução. O velho António Campos, meu pai, vibrava e vibrou fantasticamente durante esses tempos de “mudança”. Na sua manhosa e filosófica sabedoria, bebia (e bebeu) com uma “avidez” tremenda o momento. Não perdia “pitada” que fosse sobre esses instantes inflamados e cheios de ideias. Entusiasmavam-no debates e “promessas” eleitoralistas. Parecia um guerrilheiro de Fidel…  Mas a sua verdadeira revolução, foi a sua iniciação no meio automobilístico desse tempo ; resolvera “tirar a carta”. E eu, aos poucos, ia despertando desta letargia revolucionária.

O primeiro “slogan” dessa adesão revolucionária, ficou estampada numa curta T”Shirt de Verão, sob fundo com a mão em V de vitória

- O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO.

-Guardei-a durante uns tempos,mas a traça foi imperdoável…

Recordo-me que foi com ela que fui “esperar” um dos meus irmãos ao velhinho cais de Alcântara proveniente de Timor. Regressava da “Guerra do Império”… E com o regresso das “nossas tropas”, o Império desmoronava e acabava enfim o pesadelo dos “jovens” do meu tempo: Já não iam “Prá guerra”. A recordação do regresso em força e em massa das províncias ultramarinas da nossa gente, foi das “coisas” mais marcantes dessa época e que vivi familiarmente. Para mim, acabava ali o “desejo” inconsciente de ir conhecer África, pois os relatos de guerra que meu irmão Zé me transmitia, tinham-me “criado”como que um certo despudor pela guerra e um inconsciente desejo de “partir em força e Já…”(Onde raio já ouvi isto?). Ouvia relatos espectaculares de uma África bela e misteriosa, mas não de uma guerra que foi marcante e traumatizante para tantos. Era a inconsciência da juventude…

Um pouco mais tarde, a “avalanche” dos magote de “retornados” que vieram  engrossar as estatísticas populacionais. Confesso que nunca gostei do termo “retornado”. Achei-o sempre demasiado desprestigiante e vexante para essa “pobre gente”. Para mim, foi das coisas mais humilhantes do 25 de Abril, mas isso são contas de outro rosário…

Muito mais haveria a dizer. No entanto, um artigo de “meia dúzia de linhas” não chega para dizer tudo sobre Abril. Não posso porém deixar de contar a época do “famoso” PREC, visto que já mais amadurecido da estupidificação política que os portugueses tinham (eu também), esse período foi fantástico sob determinados aspectos. Todas as revoluções têm a sua banda sonora e o 25 de Abril começou pelo ruído de fundo das palavras de ordem proibidas. Antes dos “slogans” porém, ainda houve gritos de alma: ”Viva isto, seja lá o que for” dizia logo de madrugada um transeunte ao ver a tropa na rua. As legendas nas paredes surgiram logo depois e os “grafitti” inundaram paredes e prédios das velhas urbes. E elas eram poucas para tanta ironia: ”abaixo a reacção, viva o motor a hélice”; tanta ideologia” abaixo a foice e o martelo, viva o black and decker”; tanta vontade de trocar tudo: ”Viva o Magalhães pasta ,ministro sem Mota”!

Abriu-se o coração às forças da Natureza “A chuva é do Povo, abaixo os telhados!” defendiam-se os direitos dos animais :”abaixo os ovos estrelados, os pintos têm de nascer”, mas havia também uma certa sensatez política: ”Todo o apoio a tudo o que for provisório” e preservavam-se alguns direitos aristocráticos: ”Um português suave, só fuma provisórios”.

E na minha terra, o salão da velha Casa do Povo era pequeno demais para os comícios improvisados e as manifestações de apoio que as pessoas “davam”ao seu partido. E, lentamente, tudo acabou na tradicional  brandura dos nossos costumes. E nem sequer se cumpriu a frase mais repetida daquela época :

-”Ame Portugal ou deixe-o.O último a saír que apague as luzes do aeroporto!”.

AMCampos

Uma indiferença em Março

Agora que a Primavera já regressou de vez, as folias do Carnaval preenchem os álbuns de recordações e há um” leve torpor nestas primeiras tardes de Março”;sinto finalmente que caminhamos a passos largos para um rejuvenescimento moral que nos há-de curar as maleitas e os males do Inverno, pois dos outros estamos pior. E cada vez mais.
Procuro-já há algum tempo,algo que me empolgue e me convença do contrário, de que o País está melhor já ouvi isto algures e que ainda merece a pena por cá estar. Julgo que não ‘sou só eu que se encontrá nesta ‘angústia.

 

Sinto e sei que – felizmente não me’ posso “enquadrar”na lista dos portugueses (1 milhão,segundo as últimas estatísticas) que estão no limiar da pobreza o na pobreza mesmo. Seria um insulto (não aos pobres claro),mas no entanto e a julgar pelo caminho em que estas coisas continuam à ter (cortes e recortes) às vezes sinto que já’ estive mais longe. Continue reading

Politiquices…

Politiquices..

 

 Estou há já algum tempo, a tentar descortinar o que há-de ser ou o que farei  na minha crónica habitual. Confesso que às vezes falta-me assunto e embora eu não queira repetir  a eterna saudade,confesso que também os temas políticos estão num limbo que me custa desenterrar. Há dias assim e assuntos que muitas vezes continuo a fingir ignorar distraidamente,como as músicas novas do J.Bieber (nem sei quem é),a troika,o déficit ou mesmo as impressões de excesso do nosso Presidente. No entanto e sempre que as lamentações dos meus conterrâneos me incomodam,não posso deixar de me solidarizar também , incomodado perante tal resiliência. Mas quase sempre me exaspero e é então que surge o mote para umas pinceladas de escrita sobre um dos temas que detesto(porque já não tenho pachorra)nem dotes de tal- A POLÍTICA-.

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Vamos então ao que interessa. Confesso que nunca entendi nada de política. Tenho por ela um

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E A ESPERANÇA

Quase sempre é assim. Por esta altura,quando o gelo desce ao povoado e esta “morrinha”que cai e teima em gelar-me os ossos e congelar-me as ideias, eu fico sempre com a sensação que  “acariciar e espevitar o lume”a ferro e aço ,é a única coisa que agora me anima a alma e me aquece o espírito. Este mal estar momentâneo, não passará de um estado de alma que neste final de dezembro me costuma acompanhar e sobrecarregar. Então medito e penso(outra vez…)que mais um ano se passou e outro já se avizinha. É a luta inexorável e inevitável do tempo. E ele aí está.

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O “Bulliyng” do meu (nosso)tempo…

A escola é e será sempre o local onde desponta e despontará a personalidade da pessoa humana. É no convívio e na socialização entre crianças que os traços principais da  nossa “personalidade”hão-de emergir e tomar forma. Os medos,fobias, as taras e manias aparecerão ao mais pequeno sinal. Não tenho dúvida nenhuma que (independentemente da condição genética de cada um),o ser bom ou mau que existe em cada um de nós,não é fruto do acaso,mas de uma série de circunstâncias que começa no dia do nascimento até à hora da morte.

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A ORIGEM DO MAL

A ORIGEM DO MAL
Neste âmbito, vale a pena referir o projeto científico pioneiro Psicopatia e Emoções em Portugal (2010), criado pelo psicólogo Armindo Freitas-Magalhães com o objetivo de compreender os processos cerebrais envolvidos nas reações neuropsicofisiológicas da expressão facial da emoção, conhecer a razão pela qual o padrão de emocionalidade negativa é recorrente na psicopatia, se há diferenças de género e idade, e também procurar os motivos orgânicos e ambientais implicados, a fim de estabelecer um padrão que permita o tratamento e a profilaxia do crime.

Aproveitam a psicoterapia para aprender a manipular melhor os outros…


Para verificar e analisar o cérebro dos psicopatas e a relação correspondente à expressão facial, recorre-se à imagiologia de ressonância magnética funcional (fMRI), à psicometria neurofuncional e a plataformas informáticas que estimulam os sistemas cerebrais, particularmente o límbico, Segundo Freitas-MagaIhães, “o conhecimento do estado da psicopatia em Portugal é um preditor indispensável para o exercício do tratamento e da prevenção da violência”: “A comunidade científica comprova e defende que o processamento cerebral emocjonal do psicopata é diferente do da pessoa normal e, por isso, a consequente manifestação dos movimentos faciais também o é. A identificação, o reconhecimento e a frequência das emoções permitirão a constituição de uma base de dados que poderá estar ao serviço do sistema judicial.”

Por outro lado, muitos especialistas defendem que é possível vislumbrar a psicopatia desde uma idade muito precoce. Numa das suas obras mais conhecidas, Hare descreve o curioso caso de uma menina de cinco anos que os país surpreenderam a tentar atirar o gato pela sanita abaixo. “Agarrei-a mesmo antes de voltar a tentá-lo. Parecia bastante indiferente, talvez um pouco aborrecida por ter sido apanhada. Na realidade, nunca conseguimos aproximar-nos dela, mesmo quando era bebé. Tentava sempre fazer tudo à sua maneira. Se não conseguia o que queria com bons modos, tentava novamente com uma birra”, contava a mãe.
Nesse sentido, alguns psicólogos aconselham os pais a vigiarem o comportamento dos filhos e a repararem se eles mostram traços acentuados de egocentrismo persistente, se são coléricos, agressivos ou cruéis, se recorrem continuamente à mentira para conseguirem os seus objetivos, se não mostram arrependimento pelos maus atos e se procuram constantemente fugir das suas responsabilidades.

DEP
OS TRATAMENTOS: UM FRACASSO
A outra grande questão é que a psicopatia não desaparece, embora, a partir dos 40 anos, tal

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O RIO

     Um rio de água,pode ser visto de várias maneiras:ou é uma estrada que se percorre,para cima ou para baixo,ou é,quando humedece a terra,o meio melhor para a vida germinar das sementes. É também o obstáculo que separa por vezes Nações e regiões,e os sítios sobre os quais são lançados muitas vezes as pontes do entendimento .Um rio dá navegabilidade,dá fertilidade e é muitas vezes a linha do limite,ao mesmo tempo que é fronteira em apagamento. No primeiro caso,é porque um rio é muitas vezes navegado somente até antes das suas fronteiras. A partir daí,essas estradas que são rios,não podem ser transitados. E esta situação justificou muitas

 

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DEZEMBRO

    dezembro O  nome deste mês,deriva do facto de ter sido,no primitivo calendário de    Rómulo,o décimo mês do ano. Era neste mês que os antigos romanos celebravam as chamadas festas Satumais em honra de Saturno. Enquanto duravam estas festas,a ninguém era permitido trabalhar. Os tribunais e as escolas mantinham-se fechados,não se começava qualquer guerra e não se executavam criminosos nem se exercia ofício algum,excepto o de cozinhar. O mês de Dezembro era representado pela figura de um velho muito enroupado,encolhido com frio e com as mãos estendidas para um braseiro aceso.

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Os tempos mudam inevitavelmente

Agora que a passagem do Verão terminou e o tempo caminha a passos largos para a beleza Outonal das folhas dos castanheiros e dos liquidâmbares do meu eremitério da Maria Nova, faço os meus balancetes da “sealy season”e verifico com orgulho e preconceito que ela não poderia ter corrido melhor. Refiro-me referir-me-ei às efemérides que ocorreram cá pelo burgo.

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O ELOGIO DO FRIO

O ELOGIO DO FRIO.

 Às vezes,sinto que os tempos de hoje não acompanham amiúde os desígnios da Natureza. Os tempos passam como crónicas de província, feitas de coisas insignificantes e de singelas memórias das estações do ano e do ruído dos carros nos finais das tardes de domingo. Para se perceber esta monotonia desinteressante, é preciso compreender como a província e o campo estão abandonadosdepressivos e muito diferentes. Reparo nisso,quando regresso muitas vezes à minha terra, logo após o almoço e depois de conferir que o velho ribeiro da Quinta da Costa segue o mesmo curso de sempre. Naqueles pequenos montes da minha verde Beira, vejo despontar muitas vezes a primeira luz verdadeira da temporada..Antes,costumava vê-la nas mimosas que cresciam à beira da estrada de Aldeia ou nas ruínas do velho casarão da Casa da Adega dos Vaz Patto.

Reparo, nestas recordações,que o Continue reading