Causas da Depressão

Não há uma causa única para a depressão. Depressão pode ser causada por um ou mais fatores.
 

Apesar da grande investigação de que a depressão, tem sido alvo nos últimos tempos, ainda permanecem muitas dúvidas por esclarecer. Perante tamanha complexidade, actualmente os psiquiatras preferem referir que a depressão tem provavelmente várias causas (doença multifactorial) que poderão contribuir para o aparecimento da doença. 

De uma forma didáctica,  apresentamos de seguida  três factores associados à causa da depressão: factores genéticos(hereditariedade), factores biológicos, e factores psicossociais. 

Factores genéticos(hereditariedade) 

Desde há bastante tempo que se constatou de que a doença surgia com maior frequência em indivíduos que tinham antecedentes familiares de depressão. 

Por exemplo, na depressão major foi observada uma taxa de concordância de cerca de 50% para os gémeos homozigóticos e de cerca de io% a 25% para os dizigóticos . 

Estamos assim perante a existência de um factor genético/hereditário na origem a depressão que, porém, não é, só por si determinante, já que, se assim fosse, todos os gémeos monozigóticos seriam atingidos, o que não é o caso. 

Na realidade, têm sido muitos os investigadores que se dedicaram a procurar descobrir o locus genético responsável pela depressão. Os resultados, até à data, revelaram-se contudo inconclusivos. Supõe-se, portanto, que haja mais do que um factor genético envolvido na etiologia da depressão. 

Factores biológicos 

Causas físicas ou orgânicas de depressão
A depressão pode ser originada secundariamente quer ao aparecimento de determinadas doenças físicas, quer ainda à utilização de determinados medicamentos . 

No entanto, isto não implica que as doenças e os fármacos descritos provoquem depressão em todos os doentes. Torna-se importante para o médico saber se existe uma doença concomitante que possa ser tratada, já que, em muitos casos, esta encontra-se mascarada e, por essa razão, pode passar despercebida. 

O mesmo se passa em relação aos medicamentos.

Haverá, portanto, alguns doentes que, provavelmente devido a uma susceptibilidade individual, poderão apresentar depressões secundárias aos fármacos prescritos, devendo nesses casos alertar o seu médico para que a medicação possa ser alterada. 

- Sazonalidade – seasonal affective disorder (SAD) tem sido observado que há as pessoas que desenvolvem depressão durante os meses de inverno quando os dias ficam mais curtos. 

É possível que a redução da quantidade de luz afeta o equilíbrio de certas                            

Doenças físicas associadas à depressão 

Teoria monoaminérgica da depressão 
A teoria monoaminérgica da depressão justifica, o aparecimento da doença como uma consequência de um estado deficitário de monoaminas, principalmente de serotonina e noradrenalina, ao nível da fenda sináptica (espaço entre duas células nervosas). 
Na sequência do desenvolvimento desta teoria surgiu ainda implicado um terceiro neurotransmissor, denominado dopamina, que acabou por ser também integrado na teoria monoaminérgica da depressão.
 

Com os avanços efectuados na área da psicofarmacologia, rapidamente se percebeu que esta explicação era demasiado simplista e que os locais onde actuam os neurotransmissores (receptores pré e pós-sinápticos) também se encontravam alterados na depressão. 

Talvez por esse motivo é que existe um tempo de Latência que dura habitualmente entre uma e três semanas, desde o início do tratamento com antidepressivos até ao aparecimento de melhorias clínicas.
 

De seguida, descreverei cada um dos neurotransmissores e a sua possível ligação com a depressão.
 

Serotonina
A serotonina é sintetizada a partir de um aminoácido denominado triptofano. Esta substância, para além de estar associada à depressão, encontra-se implicada na regulação de várias actividades, como é o caso da função sexual, do apetite, do sono, da dor, da temperatura e do ritmo cardíaco.
 

Em alguns casos de doentes com depressão, observou-se que existia uma diminuição da concentração desse metabolito (no líquido cefalorraquídeo) em comparação com indivíduos saudáveis . 

 Por outro lado, a restrição de triptofano da dieta de indivíduos com depressão em fase de remissão conduz à recorrência da doença, com o reaparecimento de sintomas depressivos, umasituação que não ocorre em sujeitos sem história de depressão . 

Além disso, em estudos post morten  realizados no cérebro de doentes que cometeram suicídios, observou-se uma diminuição dos receptores serotoninérgicos, o que corrobora o envolvimento desta substância na origem da depressão.
 

Noradrenalina 

  
A hipótese noradrenérgica da depressão foi defendida por Schildkraut em 1965, ficando associada a um défice desta substância. 

Vários antidepressivos com eficácia clínica têm como mecanismo de acção um aumento da sua concentração na fenda sináptica. 

Sabemos ainda que determinadas substâncias que provocam a diminuição da sua actividade (por exemplo, reserpina, alfa metildopa) a depressão surge como um dos seus efeitos secundários, corroborando assim o envolvimento da noradrenalina na origem da depressão.
 

Dopamina
O envolvimento da dopamina na etiologia da depressão advém, em grande parte, da observação de que determinadas substâncias que aumentam a actividade dopaminérgica (por exemplo, anfetaminas, cocaína) podem induzir estados euforizantes ou maniformes. 

Por outro lado, no tratamento da mania em doentes bipolares utilizam-se fármacos (antipsicóticos) que actuam de forma a reduzir a actividade dopaminérgica e que, secundariamente, podem causar uma viragem do humor e dar origem ao aparecimento de depressão.
 

No caso da doença de Parkinson observa-se um défice dopaminérgico, verificando-se ainda um elevado número de casos de doentes com depressão associada. Além disso, em medições efectuadas no Líquido cefalorraquídeo de doentes com depressão do metabolito da dopamina designado por ácido homovanílico, observou-se que este se encontrava reduzido, o que de certa forma comprova o envolvimento desta substância na origem da depressão. 

Factores psicossociais
 

O modelo psicanalítico
Freud dedicou-se a este assunto, no seu trabalho datado de 1917 Luto e Melancolia, estabelecendo uma analogia entre estas duas situações. 

 A melancolia seria, assim, uma espécie de «luto patológico» em que não ocorreria a necessária aceitação do objecto perdido (pessoa perdida). Esta teoria.assenta a causa da depressão na perda real ou imaginária de um «objecto» e nas experiências precoces.
 

Por sua vez, Melanie Klein – que foi discípula de Freud -, estabeleceu na sua teoria dois estados mentais que se sucedem ao longo do desenvolvimento da vida mental da criança: ao primeiro chamou «posição esquizo-paranóide», do qual se transita para um segundo denominado «posição depressiva».
 

A ideia de posição depressiva determina uma analogia entre o desenvolvimento normal da criança e a depressão. Para Klein, a posição depressiva vai sendo superada na infância, podendo ser posteriormente reactivada na vida adulta com a depressão. 

Assim, esta teoria faz dos mecanismos depressivos processos universais, ao encarar a depressão como uma regressão para formas de actividade mental existentes em todas as crianças.
 

O modelo cognitivo
Durante os anos sessenta, o psiquiatra Aaron Beck, acabou por defender que a depressão não estaria baseada em motivações inconscientes, nem em factores estritamente biológicos, mas sim na forma como se estrutura a experiência. 
Segundo a tríade cognitiva deste modelo, o indivíduo tem uma percepção negativa de si próprio (acha que é um infeliz, um desgraçado); a interpretação que faz da sua experiência actual é hostil e frustrante («tudo me tem corrido mal») e tem uma visão catastrófica do futuro («nada de bom se pode esperar do amanhâ»).O mundo é assim interpretado segundo um esquema depressivo que distorce as experiências numa tendência negativa e derrotista.
 

Em suma, podemos referir que o doente com depressão, segundo o modelo cognitivo, apresenta uma visão negativa de si próprio, do mundo e do futuro. Surgem erros cognitivos na percepção dos acontecimentos que conduzem a ideias arbitrárias e desadaptativas; essas ideias dão por sua vez lugar a pensamentos negativos (automáticos) que são perseverantes e irreflectidos, do tipo: «não vou conseguir fazer, sou um incapaz, etc.». 

Todo este processo culmina num estado depressivo. 

O modelo de aprendizagem

O psicólogo Seligman, da Universidade da Pensilvânia, desenvolveu uma teoria a que chamou «desesperança aprendida» (learining /helplessness). No caso da depressão, esta teoria defende a impossibilidade e a incapacidade do indivíduo para aprender comportamentos de evitameinto perante acontecimentos traumáticos, perdendo assim o controlo sobne os acontecimentos de vida negativos.

É num contexto de impotência que o sujeito acaba por adóptar uma postura de insegurança e passividade conducente a um estado depressivo.
O modelo de acontecimentos de vida marcante

 
Este modelo defende a existência de uma relação entre acontecimentos de vida marcantes (life events) ou «stressantes» e a origem da depressão.

 O acontecimento de vida marcante é indesejável pelo indivíduo, imprevisível, causador de um grande esforço de adaptação e com consequências negativas na sua vida. São exemplos de acontecimentos de vida marcantes o divórcio, o desemprego, o abuso sexual, etc.

Segundo esta teoria, existem determinados aconitecimentos de vida marcantes que acabam por provocar no indivíduo um sofrimento psíquico e uma consequente dificuldade de adaptação que conduzem à depressão.

O acontecimento de vida marcante acaba por funcionar apenas como um factor de risco, entre outros, para a depressão, uma vez que nem todos os iindivíduos sujeitos ao mesmo acontecimento de vida desenvolvem a doença

 
  

2 thoughts on “Causas da Depressão

  1. Faço terapia da depressão usando métodos psicofisiológicos (EEG) e 85% das pessoas com estados depressivos têm uma lentificação da comunicação entre os neurónios. Isto quer dizer que a pessoa passa mais tempo a matutar/ruminar acerca de coisas/acontecimentos pessoais e negativos (estar para dentro) e daí a lentificação, do que orientar-se ou prestar atenção ao seu mundo à sua volta (estar para fora) que requer uma maior rapidez na comunicação entre os neurónios. Usando a “neurofeedback” para aumentar a rapidez da comunicação entre os neurónios, a pessoa fica mais para fora, menos ruminação e portanto a depressão é reduzida.

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